quarta-feira, 1 de agosto de 2007

A surpreendente Turquia!

(London, 01/08/2007 – 19h00) Desde o meu primeiro momento em Istambul eu tenho sido surpreendido positivamente. O desembarque ágil no moderno aeroporto, o bonde rápido que me leva direto ao centro da cidade, a descoberta de que quase todas as atrações estão a menos de 30 minutos de caminhada, o delicioso kebap, um espetinho de carne ou frango que se tornou a minha refeição predileta, e a hospitalidade do povo turco, que enfrentou inúmeras guerras e invasões numa história de milhares de anos.

Ora os romanos, ora os gregos, ora os árabes. Todos sempre cobiçaram aquela terra estratégica que une a Ásia e a Europa. O próprio povo turco é originário da Ásia central. Istambul, importante cidade dos impérios bizantino e otomano, já foi Bizâncio e depois Constantinopla. A religião predominante já foi a cristã, e agora quase todos são muçulmanos. Embora seja um país em desenvolvimento, a taxa média anual de crescimento tem estado ao redor de 7%. O desejo dos governantes é fazer parte da Comunidade Européia. Embora a Lira seja a moeda oficial, o Euro é largamente utilizado nas cidades turísticas.

O fato é que eu não tive descanso nesta etapa da Turquia. Foram 3 dias e meio em Istambul e 4 dias na Capadócia de muitas atividades. Nesta época do ano o calor é intenso, acima dos 30 graus, e o sol se põe quase 9 horas da noite. Assim que cheguei ao hotel sai para conhecer os arredores.

Assisti, meio que por acaso, na estação de trem, um show de dança Derwish. É uma dança típica da Turquia, acompanhada por uma pequena banda, na qual os dançarinos buscam o êxtase por meio de giros contínuos sobre a perna esquerda. Eles usam o pé direito para manter a velocidade. A cabeça fica inclinada sobre o ombro e os braços ficam estendidos na maior parte do tempo. A performance dura uma hora. Não sei se eles atingem o êxtase, mas com certeza eu ficaria muito tonto se tentasse reproduzi-la...

Em Istambul visitei a Mesquita Azul (foto ao lado), com cerca de 400 anos, e a Aya Sophia, uma igreja construída há mais de 1.500 anos, convertida em mesquita durante o domínio árabe e que agora funciona como museu. Visitei também dois ótimos museus, o Arqueológico e o de Artes Islâmica e Turca.

Um dos lugares que mais gostei foi o charmoso Kariye Museum. É uma antiga igreja, com pinturas e mosaicos do século XIV e que também funciona como museu. Visitei o Topkapi Palace, antiga residência do sultão, cuja ala mais interessante é o labiríntico harém, com inúmeros andares, aposentos e corredores. Caminhei pelo Grand Baazar e suas 1.200 lojas na área coberta (e mais de 4.000 se considerada a área descoberta ao seu redor).

De Istambul fui para Goreme, no lado asiático da Turquia, numa região conhecida como Capadócia. Posso afirmar que este é um dos lugares mais bonitos e exóticos nos quais estive até hoje, principalmente por causa das formações rochosas em forma de cone, como estas da foto (que eles chamam de chaminé).

Numa época distante a atividade vulcânica na região produziu um solo composto predominantemente por turfa. A erosão, causada especialmente pela neve que cai durante 5 meses ao ano na Capadócia, faz com a turfa ganhe a forma cônica. Na foto é possível identificar chaminés em diversos estágios de desenvolvimento (clique na foto para ampliar). As chaminés desapareceriam por completo se não houvesse a presença de liquens, que aderem à superfície da rocha e aumentam a sua resistência. Na foto é possível observar, no canto inferior direito, algumas chaminés cobertas por liquens e que assumem uma coloração mais escura.

Numa situação ainda mais exótica, como esta da foto, a turfa pode estar sob um pedaço de basalto, uma rocha mais resistente e que oferece "proteção" à chaminé contra a neve. Nestes casos o maior risco são os ventos que afunilam o cone e provocam o desabamento do basalto. Para quem gosta de desafios: como um pedaço de basalto foi parar em cima da turfa? Há uma foto no álbum da Turquia que desvenda o mistério...

Como se já não houvesse motivos para considerar a Capadócia interessante, eis que os antigos habitantes da região, há mais de 1.000 anos, descobriram que a turfa poderia oferecer abrigo e eles passaram a escavar as rochas para transformá-las em casas-cavernas, como esta da foto. Eu não tenho um número preciso, mas certamente há milhares destas cavernas espalhadas pela Capadócia. Passei por casas com até 7 pavimentos!

Pelos motivos acima, talvez alguns de vocês já considerem a Capadócia uma opção de viagem para os próximos 5 anos. E se eu disser que a hospedagem pode ser realizada numa espaçosa caverna, dentro de uma chaminé verdadeira, com vista panorâmica, em uma charmosa pousada, com um café da manhã completo e por menos de US$ 30 ao dia? A foto ao lado é a do meu "quarto". Repare que não há amenidades modernas como banheiro (que fica numa instalação ao lado), televisão ou ar condicionado. Para quem quiser conferir o site da pousada é
www.kelebekhotel.com.

Os cristãos dos séculos XI e XII construíram verdadeiros complexos religiosos dentro das cavernas, que incluem igrejas, alojamentos e refeitórios. As igrejas eram decoradas com afrescos que foram razoavelmente preservados pela proteção da turfa. O maior problema para os afrescos aconteceu quando os muçulmanos passaram a utilizar estas cavernas para oração e, por motivos religiosos, as faces foram danificadas.

Como proteção contra invasores, os povos antigos da região construíram dezenas de cidades subterrâneas interconectadas. Algumas delas estão abertas à visitação. Estas cidades têm dormitórios, armazéns, cozinha e sistema de ventilação. Uma das coisas que mais impressiona nas cidades subterrâneas são as instalações para o preparo do vinho. Na entrada da cidade eles deixavam animais com o objetivo de enganar visitantes indesejados.

A melhor forma para se conhecer as curiosas formações da Capadócia é caminhar pelos inúmeros vales da região. Algumas trilhas próximas a Goreme podem ser percorridas por conta própria, enquanto outras necessitam de guia. A pousada oferece informações, assim como fornece passeios organizados.

Também é possível sobrevoar a Capadócia de balão. Diferente dos outros lugares onde voei, o balão na Capadócia faz um vôo rasante, quase tocando as chaminés. De vez em quando escuto a cesta roçando as árvores. No final o comandante faz uma manobra de subida e oferece uma magnífica visão panorâmica. Como há bastante concorrência entre as operadoras, o preço por um passeio de 1 hora é de US$ 190.

Voltei para Istambul e nos últimos dias na Turquia tive a companhia da Mônica Berti, que foi minha colega de trabalho na Visanet em muitos projetos. Com ela está a Carmen Dantas. Em Istambul fizemos um passeio de barco pelo canal de Bósforo até o Mar Negro. Uma das coisas curiosas é que o assédio dos garçons, quase inexistente enquanto eu andava sozinho, tornou-se inevitável com a presença das duas.

Posso afirmar que a Turquia foi um dos melhores destinos da minha viagem até agora. Se eu tivesse mais uma semana poderia conhecer as praias no mar Egeu ou visitar as ruínas gregas de Ephesus, melhor conservadas do que as que existem na própria Grécia. Pela proximidade da Europa, e por ser alta temporada, os custos diários se aproximam de US$ 100 (incluindo passeios, hospedagem e alimentação). As fotos da Turquia estão em

3 comentários:

Mario disse...

Grande Feijó! Ótimas fotos e histórias!! E já se encontrou com a Monica? Ah, não perca a visita a Budapest e Praga! E se for por la, eh legal avisar ao Stan, quem sabe ele possa ser seu guia turístico. O e-mail dele eh: s.merta@welcome-rt.com
Abraço
Mario

Patricia disse...

Oi Du! Coloquei um link no meu blogg para o teu. Apesar do meu não ser 300 acessos por dia, nem 60 como no seu dia 'mais fraco'. O quarto de hospedes já está funcionando aqui em casa! Vai adicionar uma visita á provenca suéca tem que ser agora enquanto está quente e florido.
Beijos
Paty

Anônimo disse...

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